Fala, Zé! Quem espera ler um texto melancólico e cheio de lamentações inexplicáveis pode sair dessa página agora. Isso mesmo. Aqui, você não vai encontrar nenhuma vírgula apelativa. Essa história de que foi um complô, de que compraram mais uma decisão, de que um almoço definiu o campeão… Tudo isso é desculpa para quem não agüenta gozação. Futebol é isso. Um dia estamos por cima, outro dia são eles que estão por baixo da gente. Se eu acreditasse nessas babaquices extra-campo e se tivesse algum indício que elas realmente são verdades, você pode ter certeza que já teria largado o futebol de mão há muito tempo. Não perderia o meu honroso trabalho com uma atividade que desacredito, na qual sou apaixonado e dedico boa parte da minha vida. A derrota de ontem, infelizmente, começou faz tempo. Tivemos três chances de matar e desperdiçamos todas. Até que enfim podemos dizer: perdemos pelas nossas próprias pernas. E daí? Isso nos faz menores que alguém? Nem um centímetro sequer. Prefiro chegar lá e sentir a emoção que tive, ontem, no Maracanã, com um empate de romper a artéria, do que passar mais um domingo no sofá á espera da Dança dos Famosos. O choro regresso de um ex-presidente infeliz e seus comandados sem alma não pode e nem vai se tornar o estigma de um Clube conhecido mundialmente como o Glorioso. Sem essa. Futebol é alegria. Agora temos que ouvir, porque amanhã, tenha certeza, será a nossa vez de gritar mais alto. Abandonar o time - como muitos fizeram - eu jamais farei. Vou estar sempre lá. Na alegria e na tristeza, na vitória e na derrota, na saúde e na doença. E de cabeça muito erguida, porque ter a Estrela marcada no peito é muito mais do que jogar decisões, é muito mais do que freqüentar arquibancadas, é estar em sintonia com os deuses do futebol.
O jogo foi puro batimento cardíaco. Olhando pra trás, parece que essa decisão passou como um sopro divino. Tudo aconteceu intensamente e rápido demais. O fato é que a mulambada tem uma sorte de outro planeta. Nos três jogos finais desse Cariocão, os cinco gols que eles marcaram tiveram participação direta dos nossos incapazes: 3 gols contra (tudo bem que o gol do Kléberson, de falta, ontem, nem foi contra, mas o Alessandro foi fundamental), um pênalti infantil e outro frango histórico. Aliás, eu mesmo defendi o Renan por vezes e agora dou meu braço a torcer. Também, não tenho vocação nenhuma pra vidente e prefiro pecar pela paixão do que pela omissão. O garoto já virou sinônimo de insegurança. Ele precisa voltar pro banco e treinar, treinar, treinar, treinar. O lado triste é que eu também não confio muito no seu substituto direto, mas bola pra frente. Sobre o jogo, tenho a dizer o seguinte: mesmo sem nosso principal jogador e articulador, fomos bem. Desfalcados, mantivemos a escrita de sempre jogar duro contra eles. Aqui não é Minas Gerais, onde uma goleada define tudo. Até o último minuto tem pulsação. E eles sabem que a gente faz o lado de lá sofrer. Triste é ver que os jogadores não entenderam o espírito de jogar uma final pelo Fogão. Tivemos um primeiro tempo desatento e um segundo tempo confortador.
O 1º gol deles foi uma falha bisonha do nosso goleiro. Não tem explicação, bola alçada na pequena área tem que ser dele e de mais ninguém. Ainda mais numa final, onde a atenção se multiplica. O outro gol foi de pura infelicidade. A gorducha entrou resvalada no único caminho que não podia entrar. 2X0 sem entregar os pontos. A raça que vem de General mostrou que nada estava definido. No 2º tempo, o time – até que enfim – voltou sem a retranca do nosso técnico Ipatingueiro. Fomos pra cima com a garra da tradição. Primeiro, perdemos um pênalti com o Victor Simões. Esse gol faltou na contagem. Em seguida, saímos do zero com uma falta cobrada com as mãos pelo Juninho.
Mais dois minutos e o Túlio Souza empurrou o time pro 2X2, numa arrancada que parou nas redes. Festa e coração saindo pela boca. Quanta emoção no Maior do Mundo. Zé, mais uma vez, não acredito que torcida ganhe jogo, mas o goleiro sim, esse pode trazer a vitória. O guarda-metas deles é bem melhor que o nosso e este acabou sendo o fiel da balança. O cara chegou na decisão por pênaltis com uma confiança incrível e defendeu duas cobranças. Mais uma vez, derrota na loteria. Justo ou injusto, não me interessa. Pelo menos o time perdeu valente e valorizou muito mais a nova conquista sortuda dos urubus. Vida que segue e orgulho mantido, sempre. Abraço, Zé!




Leia este blog no seu celular